quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Psicologia por trás do emagrecimento


O reality show "O grande perdedor" exibido pelo SBT todo domingo às 20 horas traz um diferencial a estes tipos de programas. Neste, os 14 participantes selecionados são obesos e além de conviver 24 horas com pessoas desconhecidas dentro de uma mesma casa, têm uma tarefa mais difícil: emagrecer o máximo possível.

A perda de peso é garantia de permanência na casa e pode levar ao prêmio de R$300 mil. Divididos em dois grupos (equipe vermelha e equipe azul), todos os participantes devem se esforçar para perder o máximo de peso durante a semana, já que no domingo enfrentam a balança. O grupo que perder menos peso deve indicar um integrante ao "paredão". O outro concorrente que disputará o voto do público é aquele que emagrecer menos dentre todos os participantes.

A proposta parece tentadora quando se pensa no prêmio final e na vantagem de sair da casa mais magro. No entanto, não é tão simples quanto parece, pois o dia-a-dia deles não é como uma dieta comum ou uma reeducação alimentar. Os participantes são acompanhados por especialistas e passam por diversas situações de provação, como por exemplo, atividades em que têm a opção de resistir às guloseimas ou comê-las e ganhar determinada quantia em dinheiro. A intenção das provas é incentivá-los ao processo de emagrecimento.

A psicóloga da Unifesp especialista em obesidade, Patrícia Spada, explica que resistir a este tipo de "chantagem" é uma tarefa ainda mais difícil para pessoas obesas, já que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é uma doença. "O obeso usa a comida como se fosse uma droga. Levando em consideração esse comportamento aditivo, a melhor forma para um obeso emagrecer é incentivar o lado saudável dele, que é a consciência, não submetê-lo a tentações", esclarece.

Ela afirma ainda que se houver um treinamento para o fortalecimento da consciência do obeso, ele vai resistir. Ou seja, o trabalho maior é conscientizá-lo de que ele realmente precisa emagrecer. "A maioria quer ser magro, mas poucos querem emagrecer. É difícil entrar em contato com o sofrimento inerente ao processo de reeducação alimentar".

Na maioria dos casos, a necessidade exagerada por comida faz parte do mundo mental da pessoa. Prova disso é que de 95 a 98% dos casos de obesidade são por causas exógenas, que são fatores externos, como por exemplo, sedentarismo, fator genético, dinâmica familiar conturbada, hábitos alimentares inadequados ou vínculo mãe-filho comprometido.

A OMS também caracteriza a obesidade como síndrome, por ser multifatorial. Isto significa que ela pode ser conseqüência de diversos problemas. Por esta razão o tratamento de um obeso deve ser acompanhado por uma equipe interdisciplinar (psicólogo, nutricionista, educador físico e médico).

Patrícia ressalta a importância deste trabalho em conjunto e diz que o psicólogo deve estar sempre atento, pois o paciente pode precisar de um acompanhamento psiquiátrico (casos que necessitam de algum tipo de medicamento) ou endócrino.

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