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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

OBESIDADE é EPIDEMIA



Males da civilização moderna, o diabetes e a obesidade atingem os índios, geneticamente propensos a reter gordura. A adoção da dieta dos brancos e a sedução do consumo estão levando os povos mais aculturados ao sedentarismo.


Por Inês Castilho Fotos: Hélio Mello e Roberto Guglielmo
Metade dos xavantes das áreas indígenas Sangradouro e São Marcos (MS) apresentam obesidade.
Os xavantes se autodenominam A’wuê, A’wuê uptabi – “gente, gente verdadeira”. Fortes, troncudos, com os cabelos vermelhos pintados de urucum, têm uma fama de guerreiros que amedrontou os homens brancos desde as primeiras tentativas de contato, no século 18. Hoje, porém, estão submetidos. Não pela contaminação proposital por tuberculose ou sarampo, tiro ou envenenamento, como no passado, mas pelo açúcar, o arroz branco e os alimentos industrializados que alteraram decisivamente seus hábitos e os induzem à obesidade e ao diabetes, doenças da civilização ocidental.
O mais conhecido, o xavante Mário Juruna, morreu em 2002, aos 60 anos, depois de permanecer cinco anos em cadeira de rodas em decorrência de complicações crônicas do diabetes. Primeiro e único deputado federal indígena eleito do país (1983-1987), Juruna ficou conhecido nos anos 70 por andar com um gravador na mão registrando as promessas dos políticos no regime militar. Em 1980 representou os índios brasileiros no quarto Tribunal Bertrand Russell, na Holanda.
Entre os brasileiros, o diabetes está se tornando epidemia, incluída pela ONU na lista das doenças crônicas não transmissíveis. Entre os índios, geneticamente mais vulneráveis, está virando praga. Dos 935 xavantes acima de 18 anos dos territórios de Sangradouro e São Marcos, no leste de Mato Grosso, 33% das mulheres e 15% dos homens têm diabetes mellitus tipo 2 e 34,2% encontram-se pré-diabéticos. A obesidade, que favorece o aparecimento da doença, atinge 51,1% das mulheres e 46% dos homens. Somados aos que estão com sobrepeso, passam de 80%. Os dados são de um estudo realizado em 2010 e 2011 pelos professores João Paulo Botelho Vieira-Filho e Regina Moisés, da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), e Laércio Franco e Amaury Dal Fabbro, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.
Vieira-Filho pesquisa a saúde dos índios brasileiros há mais de 40 anos. Em 1977 encontrou as primeiras evidências de diabetes, entre os caripunas e os palicures do Amapá, já com casos de amputação decorrentes do agravamento da doença. Entre os xavantes de Sangradouro, as primeiras glicemias com valores suspeitos foram colhidas em 1983. “Com o projeto arroz mecanizado da Funai, os índios passaram a ingerir arroz branco, com açúcar, até pela manhã. Progressivamente abandonaram as roças de feijão, cará, abóbora, mandioca, macaxeira, amendoim e produtos da floresta e do Cerrado. Devido às criticas dos civilizados incultos, deixaram de comer gafanhotos e formigas, outrora muito apreciados, que contribuíam com proteínas animais”, diz o professor.“Nos anos 70, eles eram delgados e mantinham intensa atividade física. Agora, as mulheres, sobretudo, estão obesas e com diabetes.”


Alimentos industrializados
Em 1984, o médico encontrou casos de diabetes entre os bororos de Meruri, em Mato Grosso. Em 1987, colheu glicemias alteradas entre os xicrins do Rio Cateté e os paracanãs do Rio Bom Jardim, no sudeste do Pará. No mesmo ano, verificou casos suspeitos de diabetes entre os gaviões parcategês, também do Pará. “A política desenvolvimentista do Estado levou para o interior do território indígena estradas de rodagem, como a estrada de ferro Carajás, da Vale do Rio Doce, e linhas de eletricidade da Eletronorte. Com o dinheiro das indenizações, que os xicrins e os gaviões ainda recebem, deleles passaram a comprar alimentos industrializados. Mas o desastre, lá, não é tão grande como entre os xavantes. Os xicrins são hoje 1.200, com 16 diabéticos. Entre os xavantes, metade da população adulta já é ou vai tornar-se diabética. Ali, o mal progrediu muito rápido”, diz o professor Vieira-Filho.
Também os jovens estão sendo afetados. “A prevalência alta já atinge indivíduos na fase produtiva da vida. Se nada for feito, esses garotos pré-diabéticos têm alta chance de desenvolver a doença em idade precoce e, ao longo da vida, apresentar complicações crônicas que, além de incapacitantes, são causa de morbidade e mortalidade”, diz a professora Regina Moisés, especialista em genética do diabetes. Nos territórios de Sangradouro e São Marcos já podem ser encontrados índios com problemas oftalmológicos, que sofreram amputação do pé ou que fazem hemodiálise em decorrência do mal.

Fotos: Hélio Mello
A mudança para a dieta dos brancos altera os hábitos e induz a obesidade.
Políticas de Sedentarização
Para o antropólogo Carlos Fausto, professor do Museu Nacional (UFRJ), o que aconteceu nos últimos anos nas sociedades indígenas no Brasil, “e que já havia ocorrido com outras populações autóctones no resto do mundo”, é um processo de sedentarização ligado à infraestrutura criada pelo Estado para atender essas populações – luz elétrica, gás, água encanada, escola, posto de saúde e tecnologias de locomoção. “Há apenas uma geração, os índios caminhavam até suas roças, remavam para pescar e andavam quilômetros para ir a uma festa em outra aldeia. Hoje, andam de barco a motor, de carro e, às vezes, de moto – como nós, que pegamos elevador, em vez de subir escada”, considera.
Some-se a isso a transição alimentar e um aparato fisiológico mais sensível ao consumo do açúcar, “e provavelmente do sal”. Considerem- se ainda os benefícios que, nos últimos anos, os índios passaram a receber do Estado: Bolsa Família, auxílio maternidade e aposentadoria rural. “Esses recursos são usados para a compra de alimentos baratos, de má qualidade. Trata-se de um aporte de comida industrializada que cresce nos períodos de escassez de caça ou pesca, justamente quando ocorria o emagrecimento.” Por outro lado, o dinheiro franqueia aos índios o acesso a bens, o que torna mais tolerável a assimetria com os brancos. “A aposentadoria, por exemplo, deu aos velhos mais respeitabilidade diante dos jovens, que ficaram ‘metidos’ porque conhecem a língua portuguesa e transitam melhor no mundo dos brancos.”
Carlos Fausto considera que esses fatores induzem uma transição nutricional rápida e criam um paradoxo: se, por um lado, as políticas sociais do governo são positivas, por outro contribuem para tornar a população sedentária, obesa, diabética e hipertensa. “O Ministério da Saúde deveria criar políticas públicas de esclarecimento e educação alimentar, em vez de se limitar às políticas curativas. Mas o poder público não tem interesse nisso e não é capaz de uma ação inteligente. Os riscos vão aumentar, sobretudo porque muitas terras indígenas no Brasil Central, no Nordeste e no Sul não são significativamente grandes para alimentar populações em crescimento.”

“O sexo feminino é o mais afetado”, confirma a pesquisadora. “As mulheres xavantes têm muitos filhos. Faz parte da cultura. Começam por volta dos 14 anos, e as sucessivas gravidezes são acompanhadas pela obesidade. Com o sedentarismo, acabam desenvolvendo o diabetes”, explica.
O I Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, realizado em 2009 e 2010 com a participação de várias instituições, aponta na mesma direção. Baseado em amostra representativa da totalidade das mulheres indígenas de 14 a 49 anos, nas quatro macrorregiões (Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul-Sudeste), o estudo envolveu 113 aldeias de diversas etnias e revelou a ocorrência de obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus em todas as regiões. Conduzido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), foi coordenado pelos pesquisadores Carlos Coimbra Jr., Ricardo Ventura dos Santos e Andrey Cardoso, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, do Rio de Janeiro; e Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas.
“Os dados refletem uma mudança no perfil epidemiológico dos povos indígenas brasileiros, em que as doenças crônicas não transmissíveis começam a assumir um papel expressivo”, diz o epidemiologista Andrey Cardoso. “Em particular no Centro-Oeste e no Sul e Sudeste, sobrepeso e obesidade já se colocam como uma questão de saúde importante para as mulheres indígenas, atingindo mais de 50% delas, assim como a hipertensão arterial, que atinge mais de 15%.”
O professor João Botelho Vieira-Filho (de óculos), da Escola Paulista de Medicina, lidera o estudo sobre obesidade indígena entre os xavantes.
Genética vulnerável
Na base disso tudo está o fato de que a população nativa americana é geneticamente suscetível à obesidade. Estudo realizado por pesquisadores das Américas do Norte, Central e do Sul, entre eles os professores João Paulo Botelho Vieira-Filho e Regina Moisés, verificou a existência de uma variante no gene ABCA1, exclusiva dos ameríndios, associada com dislipidemia (gordura no sangue), obesidade e diabetes.
“Essa variante genética, decorrente de seleção natural ocorrida durante milênios, é favorável à acumulação de energia para períodos de fome e para procriação”, explica o professor Vieira-Filho. Trata-se da genética poupadora de energia descrita pelo geneticista James Neel (1915-2000). “Eles ganhavam peso normal com hidratos de carbono complexo – batata, feijão, mandioca, cará, abóbora. Com o hidrato de carbono simples, do arroz branco, e o açúcar cristalizado, engordam em excesso.”
São muitos os custos decorrentes da difusão da doença. “Treinamos um agente de saúde indígena para aplicar a insulina no Centro de Diabetes da Unifesp, mas há problemas no envio e na conservação da insulina, assim como no descarte adequado das seringas”, explica o professor Laércio Joel Franco. “Também a aplicação regular do medicamento nos doentes nem sempre é possível, pois eles às vezes passam dias fora, caçando ou viajando.”
1977 Nesse ano foram encontradas as primeiras evidências de diabetes, entre os caripunas e os palicures do Amapá
33% DAS MULHERES XAVANTES acima dos 18 anos, das áreas indígenas Sangradouro e São Marcos (MS), têm diabetes

51% 
DAS MULHERES E 46% DOS HOMENS de Sangradouro e São Marcos são obesos.

Aos 60 anos 
MORREU O LÍDER XAVANTE MÁRIO JURUNA , em 2002, em decorrência de complicações do diabetes

113 aldeias pesquisadas pelo 
INQUÉRITO NACIONAL DE SAÚDE E NUTRIÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS mostram ocorrência de obesidade em varias regiões do país
A boa notícia é que o diabetes pode ser prevenido. “Há estudos mostrando que, se o indivíduo mudar o estilo de vida, aumentando a atividade física e adotando dieta adequada, ele previne ou retarda o aparecimento da doença. Mais efetiva que a medicação, a mudança do estilo de vida pode reduzir em 60% a ocorrência da enfermidade”, afirma a professora Regina.
As minorias étnicas devem receber orientação dietética diferenciada. “Assim como os índios desenvolvem obesidade e diabetes com o açúcar, os negros desenvolvem hipertensão arterial com o sal, pois foram selecionados a reter sal diante do calor da África”, explica Vieira-Filho. “Somos todos iguais nos direitos políticos, mas não na genética.”

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


 Em 31 de Maio de 2002
eu estava no cimo do morro
que se vê na última foro
e pesava 105 Kgrs.
Como viram O Tempo foi passando e na foto pequena eu estou com o meu filho em Setembro de2002. Assim em Menos de 4 meses e reduzi 30 Kgrs, saí do peso que tive durante 24 anos e determinei o peso que queria, a foto abaixo foi tirada em 19.09.2011
O meu peso está, por opção, entre os 72 e 75 há - nove anos,
É exatamente isso, na 1ª Foto eu estava no topo desse morro e pesava 105kgrs. É claro que eu não estava preocupado com o meu peso, nunca estive o 
que realmente me preocupava era como eu me sentia com ele, então podem entender que me sentia bem, mas assim mesmo eu sabia que a OBESIDADE que era meu estado natural, mais tarde ou mais cedo me traria problemas, aprendi como acabar com ela e está aí o resultado. Fazem 9 ANOS. HJ.
TENHAM UM DIA MARAVILHOSO e ELEGANTE.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O alerta para aumento de obesidade em países em desenvolvimento


Países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, devem adotar o mais rápido possível medidas para impedir o aumento da obesidade entre a população, antes que atinjam os níveis registrados em países ricos.
O alerta foi feito por um estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado na revista britânica especializada The Lancet.
Segundo a pesquisa, metade dos brasileiros está acima do peso; a obesidade triplicou entre os homens e quase dobrou entre as mulheres, no período que vai de 1975 a 2003.
O estudo analisou a situação em seis países em desenvolvimento (Brasil, África do Sul, China, Índia, México e Rússia) e apontou má alimentação e falta de exercícios físicos como os principais fatores que levaram esses países a registrar um forte aumento no número de obesos.
Segundo a organização, regras mais duras para a publicidade de alimentos, campanhas massivas para promover atividades físicas e maior taxação do álcool e do tabaco são algumas das medidas que ajudariam a reduzir o problema - e a prevenir o aparecimento de doenças crônicas ligadas à obesidade.
O estudo garante que, para colocar essas medidas em prática, o Brasil gastaria US$ 2,89 per capita a cada ano.
O investimento em prevenção seria pago pela queda nas despesas com tratamentos de doenças ligadas à obesidade, como o diabetes, o câncer e problemas cardiovasculares. Segundo os autores, essas medidas poderiam ser rentáveis dentro de 15 anos.
Entre os países analisados, o México tem a pior situação. Sete em cada dez mexicanos estão acima do peso ou obesos.
China e Índia, apesar de terem, respectivamente, cerca de 15% e 30% de sua população acima do peso ideal, registram uma forte progressão no número de obesos.
O estudo da OCDE também alerta para o perigo da obesidade entre as crianças.
A organização afirma que a adoção de uma estratégia global que regule a publicidade de alimentos voltada para as crianças é mais eficaz que campanhas com um público alvo menor, como as realizadas nas escolas.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aumento de obesidade pressiona governos de países emergentes

Governos de países emergentes estão sendo impelidos a adotar medidas para combater o avanço da obesidade, que atingiu níveis alarmantes em economias em rápido crescimento nas últimas três décadas.
Dados inéditos da Organização Mundial de Saúde (OMS) obtidos com exclusividade pela BBC Brasil confirmam que, assim como o rápido crescimento do PIB (Produto Interno Bruno), o sobrepeso e a obesidade dispararam em países como China, Índia, África do Sul, Brasil e México.
Conhecidos no passado por dificuldade em alimentar suas populações, estes países hoje se debatem com problemas de natureza oposta - em um fenômeno que especialistas chamam de "dupla carga".
"A forma com que calculamos o desenvolvimento econômico é simplesmente uma medida do quanto consumimos - então o quanto mais você consume, mais rico você é... e é claro que isso é ruim para ganho de peso", disse à BBC Brasil SV Subramanian, professor de Saúde da População e Geografia da Universidade de Harvard.
No mês que vem, líderes mundiais se encontrarão na primeira cúpula de alto nível da ONU sobre doenças não-transmissíveis, que incluem obesidade, e serão exortados a adotar medidas de controle e regulamentação sobre a indústria alimentícia, assim como sistemas para identificar potenciais complicações de saúde em estágio inicial.
Epidemia de obesidade
A prevalência da obesidade aumentou em países emergentes de forma muito mais rápida que a renda, e mais rápida do que em países desenvolvidos, ao longo das três últimas décadas.
Na China, estima-se que 100 milhões de pessoas sejam obesas, comparado a 18 milhões em 2005.
No Brasil a obesidade cresce mais rapidamente entre as crianças. Cerac de 16% dos meninos e 12% das meninas com idades entre 5 e 9 anos são hoje obesas no país, quatro vezes mais do que há 20 anos.
Um em cada sete adultos mexicanos está acima do peso, proporção que fica atrás apenas dos EUA entre as principais economias do mundo.
A África do Sul, por sua vez, tem um índice de obesidade mais alto que o dos EUA - com um PIB que é um oitavo do americano.
"Vimos um aumento dramático nos níveis de obesidade em países emergentes, e este índice parece estar crescendo mais rapidamente e em meio a níveis mais baixos de PIB do que na Europa ou nos EUA há 20 ou 30 anos", disse Tim Lobstein, da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (Iaso).
Embora especialistas vejam uma clara relação entre o aumento da obesidade e o crescimento da riqueza, há outros fatores para o crescimento tão rápido.

"Vimos um aumento dramático nos níveis de obesidade em países emergentes, e este índice parece estar crescendo mais rapidamente e em meio a níveis mais baixos de PIB do que na Europa ou nos EUA há 20 ou 30 anos"

O primeiro relatório da OMS sobre doenças não-transmissíveis, publicado em 2010, afirma que não apenas a obesidade, mas também outras "epidemias" como diabetes, câncer e doenças cardiorespiratórias e cardiovasculares, estão relacionadas a mudanças da vida contemporânea.
"Doenças não-transmissíveis são causadas, em grande parte, por fatores de risco comportamentais que são relacionados a transição econômicas, urbanização rápida e estilos de vida típicos do século XXI: consumo de tabaco, dieta insalubre, atividade física insuficiente e consumo abusivo de álcool", diz o relatório.
Economia da nutrição
No caso de países emergentes, diz Tim Lobstein, a mudança mais importante é a assim chamada "transição da nutrição", de uma dieta com alimentos básicos para uma dieta modernisada, que consiste em alimentos de nível energético muito maior.
"Isso significa menos frutas e verduras, ou menos alimentos básicos como arroz e grãos, e mais gorduras, e açúcar e óleo. Estes vêm particularmente sob a forma de fast-food, refrigerantes", diz ele.
A demanda por calorias acessíveis e produzidas em massa disparou em países emergentes, particularmente dentro das classes emergentes, que hoje podem gastar mais de sua renda em comida.
Mas o professor Subramanian afirma que a obesidade é um fenômeno que afeta principalmente as classes mais privilegiadas em países de renda baixa e média, e até em economias emergentes.
Em um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, sua equipe de pesquisadores das universidades de Harvard e Bristol pesquisaram dados de cerca de 530 mil mulheres adultas de 54 países de renda média e baixa.
Eles afirmam que, apesar de a obesidade ter aumentado na maioria dos países tanto entre os 25% mais ricos quanto entre os 25% mais pobres da população, o Índice de Massa Corporal (IMC) - medida do peso de uma pessoa que leva em conta a sua altura - aumentou mais nos setores mais ricos.
"Apesar do aumento do IMC não estar mais confinado a países de alta renda, o aumento continua concentrado entre pessoas de renda mais alta em países de renda baixa e média", diz o estudo.
A Índia é um exemplo clássico de país que combina enormes desafios na área de nutrição entre sua população mais pobre, com alguns dos piores efeitos da obesidade sentidos nas classes médias.
Apesar de ter um dos menores índices do mundo - 1% em homens e 2% em mulheres em 2008, de acordo com a OMS - a Índia tem cerca de 50 milhões de pessoas com diabetes, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes.
O país fica atrás apenas da China (onde estima-se que 92 milhões de pessoas sofram de diabetes), mas especialistas estimam que os números da Índia sejam bastante subestimados.
Regulamentação coordenada
Mercado de frutas e verduras em Pequim (Reuters)
Mercado na China: mudança de hábitos alimentares também é responsável por fenômeno
Tim Lobstein argumenta que o aparente paradoxo está ligado às "políticas de produção e distribuição de alimentos".
"Hoje em dia (essas políticas) são governadas por forças de mercado, e essas forças não necessariamente promovem a saúde. Elas promoverão ingredientes mais baratos e comida processada para distribuição onde houver mercado", diz ele.
"As companhias que estão saturadas no mercado em desenvolvimento examinam agora como podem entrar em economias de renda mais baixa e ainda conseguir lucro".
Quando líderes mundiais se encontrarem por dois dias na cúpula da ONU sobre doenças não-transmissíveis a partir de 19 de setembro, organizações de saúde pressionarão por regulamentações para controlar a quantidade de gordura, açúcar e sal em alimentos processados.
Entidades como a NCD Alliance também pedirão a adoção de medidas para aumentar o nível de atividades físicas, para impedir estilos de vida sedentários.
"Esperamos que a reunião da ONU aumente a visibilidade de doenças não-transmissíveis, ao mostrar que não se trata apenas de um assunto de saúde, mas envolve também a cadeia de produção alimentar", afirmou uma representante do Ministério da Saúde do Brasil, Deborah Malta, à BBC Brasil. "Precisamos de políticas públicas e regulamentações não apenas para a indústria alimentar, mas também para tabaco, álcool e um número cada vez maior de setores".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O desenvolvimento, Lava à China epidemia de obesidade

Na última década, o PIB (Produto Interno Bruto) da China teve um aumento dramático e, ao mesmo tempo, a população obesa do país também cresceu de maneira considerável.
Na comparação entre China e Estados Unidos, o problema da obesidade entre os chineses parece muito menos grave do que o dos americanos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010, 38,5% da população chinesa de 15 anos ou mais estava acima do peso. Nos Estados Unidos, mais de 74% das pessoas com 15 anos ou mais são classificadas como acima do peso.
No entanto, a expansão da taxa de obesidade na população chinesa é chocante. A China está seguindo rapidamente o caminho dos americanos em termos de obesidade.
Dinheiro e peso
De acordo com o Banco Mundial, o PIB da China em 2009 totalizou US$ 4,99 trilhões, um aumento de 81% em relação ao PIB de 2005, que alcançou US$ 2,75 trilhões.
O número de obesos na China está crescendo ainda mais rapidamente. Existem cerca de 100 milhões de pessoas obesas no país atualmente, mais de cinco vezes o número registrado em 2005, quando 18 milhões eram considerados obesos.
"Os americanos nos deram uma lição ou estabeleceram um exemplo. Infelizmente estamos seguindo o velho caminho dos americanos", disse o professor Chen Junshi, especialista em saúde pública e membro da Academia Chinesa de Engenharia.
"Não há indicação de que vamos aprender com as lições americanas. O povo chinês foi pobre durante muito tempo. Agora, eles têm algum dinheiro no bolso, querem aproveitar. Querem seguir o estilo de vida ocidental", acrescentou.
Controle
Especialistas afirmam que muitos chineses agora comem sem praticar atividades físicas e, para enfrentar o problema é importante criar um ambiente para o controle do peso. Mas, segundo especialistas, na China não há este tipo de ambiente no momento. Como eu sempre digo só há uma forma de engordar, ingerir mais caloria do que se queima.
Cabe  lembrar que os Estados Unidos e outros países desenvolvidos têm um histórico mais longo de obesidade e, atualmente, têm um ambiente melhor para o controle de peso da população, estimulando a prática de atividades físicas.
Os países desenvolvidos ocidentais chegaram ao pico de obesidade. Por exemplo: a média do peso nos Estados Unidos parece estar caindo ou, pelo menos, não está aumentando.
Mas, para os chineses, esta média está aumentando e eles vão chegar a um nível estável antes de iniciar a queda. "Eles estão seguindo completamente o modelo americano".
Existe uma frase chinesa a respeito de proteção ambiental que afirma: "desenvolva primeiro, lide com o problema depois". Talvez este também seja o comportamento em relação ao problema da obesidade, eu digo normalmente crie o problema que depois eu trago a solução.
Só que em Obesidade, precisamos ter em mente um outro processo, para que uma pessoa possa ser ajudada, ela precisa QUERER. Mas querer de verdade, de dentro e por motivos próprios sólidos e profundos, porque todo o processo é um hábito e tem que partir de dentro de cada um

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Obesidade infantil é combatida com exercícios e boa alimentação

Segundo as estatísticas recentes a obesidade infantil vem crescendo assustadoramente em nosso país, e alguns dos fatores apontados como sendo disparadores inclui as mudanças alimentares e a grande oferta de produtos hipercalóricos, seguidos de pouca atividade física.

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, do IBGE, indicam que, em 20 anos, os casos de obesidade mais do que quadruplicaram entre crianças de 5 a 9 anos, chegando a 16,6% (meninos) e 11,8% (meninas). A situação vem se agravando nos últimos anos, preocupando os profissionais da área de saúde e também pais e professores.

Nossa realidade não permite mais crianças brincando nas ruas, andando de bicicleta o dia todo, como fazíamos há alguns anos atrás. Fomos tolhidos da liberdade de deixar nossas crianças à vontade, usufruindo dos prazeres dos jogos de bola em frente de casa. O hábito de ir para a escola sozinhos também se tornou escasso, pois fomos tomados pelo medo em função dos riscos atuais em nossa sociedade. 

Atualmente, brincam dentro de casa no turno que não estão na escola, em frente a computadores, vídeo games, ou televisão. Para acompanhar essa inércia, um pacote de bolacha ou outra guloseima que se encontra na dispensa de casa.

Muitas vezes os pais estão no trabalho, e os filhos estão em casa sozinhos, acabam consumindo o que tem de mais fácil e disponível. Outro fator que vem acelerar o processo de obesidade infantil é a grande oferta de produtos hipercalóricos, como sanduíches, batatas, sorvetes, entre outros que facilmente são adquiridos e consumidos em grandes quantidades.

Como ir ao shopping sem adquirir produtos que estão gritando para serem consumidos? Propagandas maciças estão por toda parte, como também a oferta de brinquedos que vem juntos aos lanches, que seduzem as crianças. Letreiros brilhantes dos fast foods se destacam chamando a atenção, levando ao consumo de seus produtos.

Diante dessa situação a que estamos expostos, precisamos traçar algumas estratégias que possam favorecer as crianças, levando-as a comer de forma mais saudável e queimando calorias.

Atualmente as escolas oferecem atividades no contra turno, favorecendo a prática de esportes durante a semana. Além disso, os pais podem se programar para levá-los ao parque para que possam correr com liberdade, andar de bicicleta, jogar bola, pular corda, skate, enfim, desenvolvendo uma série de atividades que favoreçam a atividade física de seus filhos, tirando-os da ociosidade.

Outra forma de controlar o aumento da obesidade é controlar melhor o que os filhos consomem, disponibilizando alimentos mais saudáveis e também saborosos. Existem vários sites e cursos que focam nesse aspecto, para que a comida se torne atrativa preservando a qualidade da alimentação. Convidar os filhos para fazerem a feira juntos, ajudar a selecionar os alimentos, será um grande passo a ser conquistado para aprenderem a consumir alimentos mais saudáveis.

Pequenas mudanças na rotina dos filhos como também na alimentação, será de grande importância para desacelerar a epidemia de obesidade que vem crescendo no mundo. Cabe aos responsáveis tomarem atitudes corretas para que seus filhos não entrem na crescente estatística da obesidade.  

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Obesidade...Cortando o Mal pela Raiz.

Há algo que precisamos ter em mente os médicos não entendem ou não querem entender de Nutrição, na verdade é uma boa dose de cada. Na verdade basta olhar para "ELES" alguém bem nutrido nunca está fora do peso ideal, o Obeso é sempre ou principalmente um subnutrido. Querem ter uma ideia de porque os poucos que sabem algo sobre o assunto nada fazem? Pois bem, leiam: "O que o seu médico não sabe sobre medicina Nutricional pode estar matando você" Leia, depois me conte o que achou. Então precisamos aprender e uma vez conhecedores temos a obrigação d ensinar.

                Obesidade infantil: como educar os pais
A obesidade infantil tem sido um tema mundialmente abordado. Nos Estados Unidos a primeira dama Michele Obama se encarrega de encabeçar uma grande mobilização em favor da alimentação saudável para os pequenos. O badalado chefe de cozinha Jamie Oliver iniciou um programa chamado Revolução Alimentar, que engloba vários projetos incluindo aulas de culinária e orientação alimentar nas escolas e nas comunidades. Percorre os Estados Unidos em um grande caminhão transformado em uma moderna cozinha móvel. Tudo com intuito de mudar os hábitos da alimentação americana com um foco bem estabelecido na educação alimentar infanto-juvenil.

Voltando à dura realidade brasileira, o que deparamos em nosso atendimento médico e nutricional às crianças com sobrepeso e obesidade são as grandes dificuldades em educar e mobilizar as famílias em prol da saúde de seus filhos. Quando analisamos que os Estados Unidos estão se mobilizando para voltarem a cozinhar, no Brasil nós estamos num movimento contrário. Por aqui, há poucos anos, as famílias ainda faziam suas refeições à mesa, muito provavelmente isso ainda ocorria na casa dos avós dos nossos pequenos pacientes. Hoje, as cozinhas são adornos totalmente dispensáveis nos apartamentos modernos e as crianças permanecem a mercê dos lanches, "deliveries" e congelados. As conseqüências da alimentação dos adultos nos hábitos das crianças Quando abordamos os jovens casais sem filhos e com problemas de sobrepeso e obesidade, eles, desde então, se colocam avessos a idéia de prepararem suas refeições. Quando então indagados de como seria a vida familiar com a provável chegada de um filho, a resposta é sempre a mesma. "Quando acontecer, nós pensaremos em mudanças." Essa atitude mostra como será a alimentação dessa geração de crianças, que não terão a oportunidade de um vínculo com alimentação saudável. Seus vínculos terão fortes influências dos lanches, "deliveries" e congelados. A escolha do alimento é da responsabilidade dos pais, portanto são eles que devem ter uma programação de supermercado que atenda a um cardápio saudável e diversificado. Comprar bolachas recheadas e salgadinhos em pacotes e se queixar que o filho come muito, é no mínimo incoerente. Muitas crianças já chegam ao consultório com as conhecidas complicações da obesidade encontradas comumente em adultos. Elas apresentam alterações no colesterol, quadros de hipertensão arterial, acúmulo de gordura no fígado, alterações na insulina e no açúcar do sangue. Essas alterações estão sabidamente relacionadas à doença cardiovascular nos adultos e impõem às crianças um risco muito maior, pois a interferência na saúde dos pequenos ocorre desde muito cedo.Como programar corretamente a alimentação das crianças O café da manhã, muitas vezes, é a única refeição possível de reunir a família. Não se pode, na correria do dia a dia, omitir essa refeição. Comer na padaria ou na cantina da escola também não são alternativas. Vale a pena preparar uma mesa com leite e derivados, pães, frutas e cereais. Isso leva muito pouco tempo e serve de estímulo para a continuidade do cuidado com as refeições ao longo do dia. Sempre que possível, os pais devem preparar em casa os lanches escolares. As cantinas são sempre um risco com seus salgadinhos fritos, pizzas, refrigerantes e até hambúrgueres. Apesar de serem cômodas aos pais, elas não são boas opções para os lanches das crianças. Assim, mais uma tarefa para os eles, prepararem lanches saudáveis e saborosos para competir com a sedução dos lanches das cantinas. Vale utilizar pães de forma, bisnaguinhas, embutidos como peito de peru e presunto magro, queijos e patês. Podem ser acompanhados com sucos de frutas ou água de coco. Vale utilizar a imaginação e considerar as preferências de cada criança. O almoço geralmente ocorre longe dos pais. Algumas vezes, em casa com a empregada e outras vezes, na casa dos avós. Em casa, esse controle é mais fácil para aqueles pais que estão dispostos a interferir ativamente na alimentação das crianças. Eles podem elaborar o cardápio, fazer comprar condizentes com ele e orientar sua empregada a seguir a programação. Na casa dos avós, a situação é mais cômoda para os pais que preferem delegar suas responsabilidades. Nessas condições, eles não podem definir as refeições que serão servidas aos seus filhos. Também não podem exigir dos avós atitudes de pais. O grande problema das tardes, são os beliscos. As despensas são lotadas de guloseimas e as crianças acabam não tendo um lanche da tarde bem definido. Comem a revelia, durante todo o período, enquanto assistem TV, fazem tarefa ou estão no computador. Aqui também vale uma programação dos pais para os lanches da semana e um melhor controle pode ser alcançado com compras de supermercado condizentes.Não há como habituar uma criança a jantar quando seus pais não fazem essa refeição. Chegam do trabalho à noite e se dizem sem vontade de comer "comida". Preferem lanchar e esse hábito é desde cedo incorporado pelas crianças. Se essa for realmente a única opção dessa família, então ela tem que se adequar em programar lanches saudáveis e bem definidos, capazes de oferecer às crianças os nutrientes que elas precisam. Aqui, vale lembrar que os lanches devem ter a conotação de um jantar, serem realizados à mesa e terem começo, meio e fim. Ao levantarem da mesa, a família deve entender que essa foi a última refeição do dia. Enquanto as campanhas governamentais não chegam ao Brasil, os pais devem tentar rever seus hábitos e mudá-los em favor da saúde dos seus filhos. Isso não só será útil para as crianças, como para a saúde dos próprios pais. 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Transtornos Alimentares


                       Transtornos Alimentares avançam     além da juventude
Desde o reconhecimento dos transtornos alimentares na prática clínicas, eles sempre foram relacionados aos adolescentes e adultos jovens. Sempre foram as meninas o maior contingente de pacientes que nos chamavam a atenção para o rigor com que buscavam um peso muitas vezes abaixo do ideal. Atualmente, temos observado o avanço de casos de transtornos alimentares muito além da juventude, acometendo mulheres com mais de 50 anos. A maioria delas traz consigo uma história pregressa da doença desde a adolescência, enquanto uma pequena parcela desenvolve o transtorno já na maturidade.

A vaidade e a preocupação com a imagem corporal é uma característica marcante nas mulheres. Mesmo nos extremos da vida, nós conhecemos meninas e avós que manifestam desejo de alcançarem um peso corporal mais adequado e para atingirem seus objetivos elas estão dispostas a fazerem dieta e se exercitar. Nada anormal nessa atitude. Entretanto, elas podem não parar por aí e como visto nas adolescentes, alguma mulheres maduras passam a manifestar um comportamento autodestrutivo com intensa restrição alimentar, abuso de laxantes, exercícios físicos intensos e compulsão alimentar.

Qualquer situação estressante pode atuar como um gatilho e desencadear o transtorno alimentar. Em uma pessoa jovem, isso pode ser gerado a partir da saída da casa dos pais para ir para a faculdade ou estudar em outro país, em situações de ganhos de peso que a deixa constrangida ou sujeita a críticas ou diante do divórcio dos pais. Em anos mais tarde, ter um filho, se distanciar dele quando ele vai para a faculdade ou vivenciar o seu próprio divórcio. Cada geração conta com situações de grande conflito inerentes a elas, capazes de desencadear transtornos alimentares ou despertar casos preexistentes adormecidos ao longo dos anos.

Há provavelmente muitos casos de transtorno alimentar na maturidade que escapam do nosso poder de observação e diagnóstico, simplesmente porque pessoas mais velhas se mostram mais ponderadas e equilibradas. Muitas manifestações do transtorno são confundidas com sinais de envelhecimento e não são pesquisadas a contento. Um exemplo disso é a parada das menstruações, que em uma menina adolescente nos chama a atenção para a possibilidade do problema. Nas mulheres maduras, essa alteração é imediatamente relacionada à menopausa, normal ou precoce, dependendo da idade. Quando essas pacientes tem anemia e osteoporose, isso também é confundido com envelhecimento e nunca com desnutrição, que a maioria delas apresenta.

Para finalizar, muitos profissionais de saúde, que não tem conhecimento da evolução dos transtornos alimentares para idades mais avançadas da vida, muitas vezes enaltecem essas mulheres com o argumento de que elas seriam um grande exemplo para as gerações mais jovens, pelo fato de manterem-se magras e se exercitarem muito.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fome vontade de comer ou saciedade: uma relação delicada


A fome é normal e bem vinda. Nada como comer com fome, Um enorme erro, devemos comer a intervalos certos exatamente para não sentir fome, comer com fome nos faz comer mais do que deveriamos, logo não metabolizar como se deve transformando excessos em gorduras, um dos dois elementos que o corpo humano tem capacidade para armazenar. Tudo parece mais gostoso e atrativo. É exatamente porque sentimos fome que protegemos nossos estoques de energia e mantemos nossos níveis de açúcar dentro de uma faixa normal, para atender às nossas demandas. Três ou quatro horas depois de uma refeição, à medida em que nossos níveis de açúcar no sangue começam a cair, ocorre um estímulo progressivo aos centros neurológicos da fome no cérebro e buscamos comida. Respeitar esse tempo entre uma refeição e outra é nosso principal aliado para sentirmos 'uma fome normal'.

Há uma crença equivocada de que a sensação de fome está alterada nas pessoas que comem muito e/ou que são obesas. Muitas delas chegam ao consultório desejosas de tomarem algum medicamento que 'corte' a fome. A crença é de que essas pessoas têm mais fome do que as demais pessoas que comem menos. Grande equívoco. As pessoas que comem mais e/ou são obesas têm na realidade uma grande falha nos sinais de saciedade. Ou seja, comem, não se sentem saciadas e continuam comendo.Na Maioria das vezes isto acontece poque comem de forma errada, muito rápido, em frente à televisão ou coisas do gênero, o processo de mastigação é essencial, e este quando repetido por 20 minutos o cérebro recebe o alerta de saciedade independentemente do que foi ingerido nesse período. Mesmo assim, muitas vezes, até interrompem a refeição, mas mediante um grande esforço, pois comeriam muito mais se pudessem. 

É natural e corriqueira a ligação de fome à ansiedade. Nesses casos, comemos automaticamente ou regidos por impulso. Isso não é fome. Nessas ocasiões, geralmente, comemos alimentos que gostamos muito, que causam prazer. Muitos pacientes dizem acalmar-se ao ingeri-los. O consumo de alimentos pouco palatáveis nessas ocasiões ou o impulso de comer alimentos que nem apreciamos já se configura num quadro mais grave de ansiedade e a possibilidade da ocorrência de compulsão alimentar. Isso tanto é verdade que, nesses casos, é equivocada a utilização de medicamentos para abolir a fome, pois as pessoas continuam a comer compulsivamente guloseimas e a beliscar, passando a abolir o que é mais importante, as refeições básicas.Isto é realmente a fome oculta, o que temos é falta de determinado nutriente e é isso que o cérebro está nos dizendo, o problema é que nós ouvimos "fome" 

Além da ansiedade, a fome está associada às alterações do humor. Encontramos quadros de depressão, onde os pacientes aumentam muito o consumo de alimentos, mas os casos mais graves estão relacionados à total inapetência e perda de peso. Essas formas de doenças psiquiátricas que influenciam os sinais de fome e saciedade revelam claramente o perfil anormal do apetite e sua nítida diferença das formas normais de fome.

Vamos treinar a saciedade

Uma vez que ganho de peso e obesidade estão relacionados muito mais com sinais de saciedade comprometidos do que com fome excessiva, precisamos treinar alternativas para melhorar nossa saciedade. Veja a seguir o que a equipe de Nutrição do Citen sugere:

(1) Coma devagar - os sinais de saciedade são exercidos por substâncias químicas liberadas pelas células do trato digestivo que, como hormônios, são liberados na corrente sangüínea e alcançam os centros cerebrais que regulam fome e saciedade. Quando comemos muito rápido, simplesmente não damos tempo para que isso ocorra ou quando essas substâncias alcançam o cérebro, já estamos com o estômago muito cheio; 

(2) Faça refeições em intervalos regulares - ao pular uma das refeições, passamos mais de seis horas sem nos alimentar e isso simplesmente inviabiliza uma próxima refeição normal. O jejum prolongado faz com que todos os sinais de fome sejam acionados e não sejamos seletivos na escolha da próxima refeição. Além disso, ao comermos a cada três horas, conseguiremos ter saciedade mais precoce e reduzimos tranquilamente o volume das refeições diárias;

(3) Faça sempre refeições balanceadas - nada de abolir os carboidratos do jantar, nada de comer somente salada e grelhado no almoço, mas também nada de comer apenas carboidratos. A explicação é simples: a composição balanceada de uma dieta melhora o tempo de digestão e absorção dos alimentos, tornando mais prolongada a saciedade, uma vez que reduz a velocidade do esvaziamento gástrico;

(4) Adicione alimentos integrais e ricos em fibras à sua dieta - vale a pena mudar para o pão integral e para o arroz integral, comer saladas e frutas que são ricas em fibras, adicionar grão de bico ou feijão às saladas e utilizar cereais integrais em lanches. Os alimentos ricos em fibras reduzem o esvaziamento gástrico, aumentando assim o tempo de saciedade após a refeição;

(5) Evite ingerir refeições volumosas - estas refeições condicionam nossa saciedade a uma ingestão sempre de grande volume de alimentos, fazendo com que só nos sintamos satisfeitos, quando nosso estômago estiver muito cheio. Isso acaba por criar um hábito de comer muito e só sentir saciedade quando ultrapassamos os limites;

(6) Não abra mão das saladas - geralmente, quando partimos diretamente para o prato principal, ingerimos um maior volume de alimentos. A saciedade depende também do volume do alimento. As saladas, além de ricas em fibras, aumentam o volume do bolo alimentar e reduzem parte da fome com a qual iniciamos o prato principal. Isso pode ser facilmente exemplificado com as massas. Quando ingerimos um belo prato de saladas, antes do espaguete no domingo, precisamos de muito menos massa para sentirmos satisfeitos;

(7) Saciedade é treino e equilíbrio - isso é perceptível nos casos de ansiedade, quando passamos a ter maior necessidade de grandes volumes de alimento. A ansiedade não nos permite saborear o alimento, nem sentir saciedade. Logo, é preciso exercitar equilíbrio e calma para fazer nossas escolhas alimentares e para nos sentirmos saciados com elas;

(8) Evite o comportamento beliscador - comer pequenas porções de alimento, várias vezes ao dia, compromete a saciedade, pois quem tem esse comportamento nunca tem fome suficiente para comer uma refeição, mas também nunca está totalmente sem fome para recusar guloseimas. Esse modelo alimentar gera uma falta de saciedade crônica e a ingestão de grandes volumes de pequenas porções de alimentos, que, quando somadas resultam em muito mais calorias do que se ingere nas refeições convencionais;

(9) Não troque refeições por doces - esse comportamento resulta em desnutrição por falta dos alimentos básicos e fome crônica, uma vez que os doces são rapidamente absorvidos e elevam a produção de insulina muito rapidamente. Esse hormônio reduz o tempo de saciedade, resultando em sensação de fome precoce;

(10) Não coma sem estar atento ao alimento - evite comer na frente do computador, assistindo TV ou estudando. Quando não observamos o quê e o quanto comemos, grandes volumes são ingeridos sem a percepção da saciedade. É freqüente presenciarmos na saída de um cinema, após comer um balde de pipocas (1200 calorias), alguém perguntar aos acompanhantes onde eles irão jantar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Abordagem no combate à Oesidae


Comer menos sódio, menos gordura saturada e menos açúcar tem sido à base das recomendações nutricionais dos últimos anos. Em todos os países. Apesar disso, a cada ano nós registramos maiores índices de ingestão desses itens nas dietas de todo o mundo. Será que as pessoas não entendem as orientações ou será que nós não sabemos orientar adequadamente? O certo é que estamos perdendo a batalha contra a obesidade.

O último guia alimentar aceito mundialmente foi produzido nos Estados Unidos em 2005 e ele sustentava as recomendações anteriores de baixo consumo de sal, gordura saturada e açúcar. Após repetidas tentativas falhas de mudança do padrão alimentar dos americanos, esse ano o guia nutricional surpreendeu pela mudança da sua abordagem. Sustentou as mesmas recomendações, mas pela primeira vez conclamou a população a comer menos. De suas palavras, ressalta em importância a orientação "coma com prazer, mas coma menos!"Gordura açucar e sal, quem acompanha minhas postagens já viu a sigla G.A.S. Também já me ouviram dizer que, não engordamos por aquilo que comemos e sim pelo que não comemos, a famosa fome oculta aqui encontrará algumas explicações sobre isso. Recorremos ao "GAS" pelo simples motivo de que este nos dá a impressão de saciedade, só que não nos nutre e como não metaboliza, se transforma em reservas de GORDURA.

Parece simples, mas a complexidade geralmente não alcança a adesão das pessoas. Tanto pela dificuldade de compreensão, quanto pela pouca aplicabilidade no dia a dia. Comendo pouco, elas reduzirão, de maneira bem simples, o sal, o açúcar e as gorduras saturadas.Porém nõ resolvem o problema, ingerem menos calorias só que diminuem também a ingestão de nutrientes que já é pobre, isso trás sensação de fome e võ procurar, coxinha e cocacola, saciedade rápid muito "GAS" mas nada de nutrientes.
 
Apesar de entender bem essa colocação, nós sabemos da dificuldade de se comer pouco. É preciso muito mais que força de vontade. É preciso da colaboração de quem industrializa e fornece tais alimentos. A indústria de alimentos é uma realidade em mossas vidas e deve participar desse movimento em prol de uma alimentação mais saudável. Os alimentos processados devem ser reformulados e se adequarem à nova orientação, tanto em seus ingredientes quanto em suas porções. Para isso, a pressão por parte da sociedade civil, dos governos e da comunidade científica deve ser cada dia mais presente. O Que é preciso é uma suplementação vitmínica adequaa, a maioria das das propagandas não funciona, há o mercado fórmulas muito corretas, e mais barata que a mandada manipular.

A mobilização já se faz notar. Recentemente a rede de supermercados Wal-Mart saiu na frente com um plano que promete reduzir os preços de frutas e verduras, reformular os seus alimentos industrializados e pressionar seus fornecedores a se adequarem. Essa atitude deve estimular os concorrentes e todos os segmentos da produção de alimentos industrializados são chamados a participar.

O guia completa sua orientação recomendando que a metade do prato deve ser composta por verduras e frutas e reforça a necessidade do consumo de cereais integrais, laticínio magros e peixes. 

No Brasil, as políticas públicas da área de nutrição ainda são modestas para o combate à obesidade. De acordo com o IBGE em seu recente Censo, o Brasil, como todos os demais países emergentes, vem liderando o ritmo de crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade em todo o mundo. Por aqui, cerca de 50% dos adultos e 30% das crianças e adolescentes encontram-se acima do peso normal.

A verdade é que a grande maioria dos casos de obesidade poderia ser prevenida. Os governos não podem se omitir. As escolas devem dar sua contribuição e os subsídios devem premiar os alimentos saudáveis, normalmente mais caros, e taxar, duramente, os alimentos ricos em gordura e açúcar. Além disso, cada um de nós deve fazer sua parte, entendendo que a responsabilidade é primordialmente nossa e que uma escolha alimentar ruim é, quase sempre, fruto de uma opção pessoal.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mulher brasileira bebe e fuma em excesso. E está mais gorda


Fonte: A Gazeta do Povo de 19.04.2011

Estudo mostra que índice de fumantes do sexo feminino no país ficou estável, enquanto no masculino caiu. Já o indíce de obesidade e consumo de álcool cresceu.

As mulheres brasileiras estão mais obesas, bebem muito e não conseguem diminuir o consumo de cigarro, segundo a pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, que analisa estatísticas sobre fatores de risco para doenças crônicas. Entre 2006 e 2010, o porcentual de tabagismo feminino se manteve estável, mas o abuso de álcool subiu 30% e o índice de obesidade saltou de 11,4% para 15,5%. Os homens, ao contrário, conseguiram um desempenho melhor. O estudo revela um quadro preocupante para a saúde da mulher. Para especialistas, estresse e rotina são os principais fatores para os maus resultados.
Independentemente do sexo, a tendência de queda no consumo de cigarro se manteve e os ex-fumantes são maioria, com 22%, contra 15% de quem fuma. Há 22 anos, este porcentual era de 35%. “O Brasil é um exemplo no combate ao tabagismo. Medidas regulatórias, como a proibição da propaganda de tabaco e advertências nos maços de cigarro, são muito efetivas e explicam essa importante redução no consumo do cigarro”, afirma Deborah Malta, coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério.

Apesar dos bons resultados, as campanhas antitabagismo parecem surtir menos efeito no sexo feminino, já que desde 2006 o número de tabagistas mulheres está estacionada em 12,7%, contra uma redução de 11% entre os homens. Há estudos que revelam que a dependência da nicotina pode ser mais forte entre elas.
Professora da Universidade Fe­­deral de São Paulo (Unifesp) e integrante da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Ana Luísa Godoy Fernandes afirma que alguns estudos apontam que os homens conseguem deixar de fumar com mais facilidade. Não há uma explicação única para este fato, mas há ligações com o estresse, múltipla rotina e emagrecimento.
O consumo de álcool é outro fator preocupante, já que um a cada cinco entrevistados pelo Mi­­nis­­tério da Saúde declarou abusar de bebidas alcoólicas. O valor cresceu 12% desde 2006. Entre as mulheres, o crescimento foi seis vezes superior ao observado entre os homens.
O excesso de peso e obesidade também mostram que a situação das mulheres é alarmante. Em 2006 não havia diferença entre sexos no quesito obesidade. Em 2010, as mulheres estão um ponto porcentual à frente dos homens. Atualmente metade da população brasileira está acima do peso, o que mostra uma inversão no quadro nutricional do país, que antes tinha apenas um pequeno grupo nesta situação. Para o Ministério da Saúde, o Brasil segue uma tendência mundial de aumento da obesidade devido à alimentação inadequada aliada ao sedentarismo.
Complicações
O exagero no álcool e no tabaco entre as mulheres pode ser mais danoso do que nos homens. O cigarro, por exemplo, aliado aos anticoncepcionais traz complicações cardiovasculares e trombose. Já o álcool, quando utilizado em qualquer quantidade durante a gestação, pode causar sérios danos ao desenvolvimento do bebê.
O pesquisador José Mauro Braz Lima, coordenador do Programa de Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que o desenvolvimento da Síndrome Alcoólica Fetal pode inclusive criar propensão à dependência química nos filhos.
Lima acredita que os dados apresentados pelo Ministério da Saúde em relação ao abuso de álcool podem estar subestimados, já que entre adultos jovens a tendência de exagero é maior. Ele lembra que o álcool etílico é uma substância tóxica para qualquer organismo vivo e atribui o crescimento do consumo à ampliação do mercado econômico de bebidas no Brasil.
Clínico-geral e professor da Universidade Federal do Paraná, Niazy Ramos Filho argumenta que a mulher passou a competir com o homem no mercado de trabalho e acabou incorporando maus-hábitos. “A mudança do papel da mulher na sociedade trouxe conseqüências negativas para a saúde.” Ele lembra que antes elas estavam menos suscetíveis a doenças do coração e AVC.
15% da população não faz exercício
A pesquisa faz um alerta sobre o riscos da falta de exercício e da má alimentação dos brasileiros. O sedentarismo é medido pelos 15% da população que não praticam nenhuma atividade física e pelo número de horas passadas em frente à televisão. Atual­­men­­te, quase uma a cada três pessoas assiste tevê mais de três horas por dia.
A nutrição do brasileiro está se transformando e hoje quase 20% da população consome cinco ou mais porções diárias de frutas e hortaliças. Apesar disso, o porcentual de quem consome refrigerante cinco vezes na se­­mana chega a quase 30%. Além disso, os brasileiros estão comendo menos feijão e mais carne gorda. De forma geral, quanto maior a escolaridade mais saudável é a alimentação.
Professora de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Ana Cristina Miguez afirma que o combate à obesidade e incentivo à boa alimentação são desafios em todo o mundo. Ela afirma que, neste ponto, o Brasil está em vantagem por ter programas de incentivo à agricultura familiar.
Ana Cristina lembra que em Curitiba, por exemplo, há “sacolões” para compra de frutas e verduras a preços mais baixos e também academias de ginástica para a terceira idade. Ela argumenta que o Brasil está passando por uma transição nutricional e que o quadro de obesidade e excesso de peso traz complicações de saúde pública e econômicas.

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